Até o governo jogou a toalha em relação à gestão de Dilma Rousseff.

Seria difícil qualquer pessoa imaginar, no fim do ano passado, a instabilidade política e econômica alcançada hoje do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A grosso modo seria possível dizer que grande parcela da população apertaria o reset e tiraria ela da Presidência da República, independente do custo democrático disso. Um exagero, em certa medida, mas que retrata um governo que parece não ter piloto. Dilma saiu para as férias do fim de ano e não voltou.

Para ser mais claro, 71% das pessoas ouvidas pelo Instituto Datafolha gostariam que ela não tivesse voltado. Esse é o montante da rejeição da presidente, o maior da história. Outro dado grave e que atesta a instabilidade é que 66% da população é a favor de um impeachment, nos moldes do que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador. O caminho deve ser mesmo uma eventual reprovação as contas do governo pelo Tribunal de Contas da União.

O Partido dos Trabalhadores leva ao ar, na noite desta quinta-feira (6), a sua propaganda política de dez minutos. No vídeo, já disponível no G1, Dilma Rousseff diz saber suportar pressão e até injustiça – isso não causa surpresa. Mas o fato é que o discurso petista, de tão desgastado, convence pouco. O ator José Abreu conduz o programa, que culpa a oposição pelo clima de descontrole. Alega que a gestão petista evitou por seis anos que a crise internacional atingisse o Brasil.

Em relação à crise no governo de Dilma, culpar a oposição vai no sentido contrário ao que se tem visto nas votações no Congresso Nacional, onde a base aliada, incluindo o PT, tem imposto derrotas monumentais à presidente. Ontem, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, pediu ajuda aos oposicionistas, com um ar de que está tudo perdido. O desabafo do ex-presidente Lula a aliados foi nesse sentido. Comparando com o mensalão, ele disse que nem crescimento econômico abafaria.

A declaração mais enigmática foi dita pelo vice-presidente e articulador do governo, Michel Temer, para quem o Brasil precisa de “alguém que tenha capacidade de reunificar todos”. A frase animou a oposição, por ficar claro que essa pessoa não é a presidente Dilma Rousseff. Mas é importante lembrar que em caso de cassação quem assumiria seria o próprio Temer. Os ingredientes para a cassação estão lançados. Os conspiradores são muitos.

Em contrapartida, a economia vai mal, a condução política vai pior e o envolvimento de lideranças do PT no escândalo da Lava Jato só agrava a situação. Tem pouca coisa que Dilma Rousseff possa fazer para estancar a deterioração completa do seu governo. Uma delas é tirar a cabeça do buraco.


Jornal da Paraíba

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